Glossário

A

AAD Antivírico de ação direta. Medicamento que atua no mecanismo de replicação do vírus, impedindo a formação do genoma vírico.
ADN Ácido desoxirribonucleico. É uma molécula de dupla hélice constituída por polímeros de nucleótidos unidos por um radical fosfato. Os nucleótidos são formados por uma base nitrogenada, uma pentose (desoxirribose) e fosfato. O ADN está contido no núcleo das células, fazendo parte dos cromossomas, onde estão localizados os genes que, no seu conjunto formam o genoma. Existem vírus ADN com uma e com duas cópias de ADN.
AgHBs Antigénio de superfície do vírus da hepatite B. É a proteína que constitui o invólucro do vírus.
AIDFM Associação para a Investigação e desenvolvimento da faculdade de medicina.
Anti-HBs Anticorpo (imunoglobulina G) contra o antigénio de superfície do vírus da hepatite B (AgHBs). É o anticorpo neutralizante do vírus e que indica a cura da infeção.
Anti-VHC Anticorpo (imunoglobulina G) contra o vírus da hepatite C. Pode indicar infeção ativa ou curada.
Anticorpo Imunoglobulina produzida pelos plasmócitos, formados a partir da diferenciação dos linfócitos B. Estes são produzidos pela medula e estão dispersos pelo sistema linfático: gânglios, baço e medula.
Antigénio Molécula estranha ao organismo que desencadeia uma reação do sistema imunológico.
Antivírico Classe de medicamentos usados no tratamento de uma doença vírica. Atua por ação direta (antivírico de ação direta) ou indiretamente.
ARN Ácido ribonucleico. É um ácido nucleico formado por uma cadeia simples de nucleótidos e ribose (açúcar), ligados por pontes de fosfato. Existem vários tipos de ARN, os quais desempenham funções essenciais, como, por exemplo, o ARN mensageiro (ARNm) que transporta a informação dos genes para a transcrição das proteínas no citoplasma; ou o ARN de transcrição (ARNt), responsável pelo transporte das moléculas de aminoácidos dentro do citoplasma. Nos vírus ARN existe habitualmente uma única cadeia deste ácido nucleico.

B

Baby boomers Indivíduos nascidos nos Estados Unidos da América entre os anos de 1945 e 1965. Esta designação alude ao acréscimo de natalidade ocorrida no regresso aos EUA dos militares que combateram na 2ª guerra mundial.
Bílis Secreção produzida pelas células hepáticas e colangiócitos e armazenada na vesícula biliar. É drenada para o intestino durante a digestão dos alimentos.

C

Cancro Transformação e proliferação de um clone de células anormais devido a anomalias genéticas.
Carcinoma hepatocelular Cancro que resulta da transformação maligna de um clone de células hepáticas.
Carga viral Concentração do genoma vírico (ADN ou ARN) no sangue de um indivíduo. É registado em unidades internacionais por ml (UI/ml) ou cópias por ml (cp/ml).
Cirrose Transformação do fígado num órgão de superfície rugosa e consistência aumentada, devido à alteração da sua estrutura com formação de nódulos e tecido cicatricial (fibrose).
Coinfeção Infeção simultânea por dois vírus diferentes. No Homem, são relativamente comuns as coinfeções VHB/VHD, VHB/VHC, VHB/VIH, VHC/VIH, VHB/VHC/VIH.
Colangite Inflamação das vias biliares. Dependendo da causa, pode atingir apenas as vias biliares intra-hepáticas, vias biliares extra-hepáticas, ou as duas simultaneamente. A causa é variada: infeciosa, autoimune, tóxica ou química.
COMMIT Programa de apoio à eliminação do VHC patrocinado pela Gilead Sciences.
Contágio Passagem de um agente microbiano (vírus, bactéria ou parasita) para outro ser vivo.
Cura Resolução de um processo patológico, agudo ou crónico. Numa infeção há que distinguir entre a cura da infeção e a cura da doença, isto é, das lesões orgânicas. Nas infeções agudas, a cura quase sempre decorre com restitutio ad integrum, ou seja, recuperação completa da estrutura e da função do órgão afetado. No entanto, se tiver ocorrido lesão com formação de cicatriz (fibrose) podem sobrevir sequelas da infeção e défice funcional, ou seja, com persistência da doença.

D

Diabetes Doença multissistémica que resulta da intolerância à glicose. Há vários tipos de diabetes, sendo o mais frequente o tipo 2 por défice de produção de insulina no pâncreas. Na doença hepática, o mecanismo da diabetes é mais complexo, podendo estar relacionado com resistência à insulina.
Diagnóstico Série de procedimentos – clínicos, laboratoriais, imagiológicos e histológicos – que levam à identificação de uma doença ou síndrome.
Dried blood spot (DBS) Método de diagnóstico rápido. As gotas de sangue são colhidas e fixadas em papel de filtro absorvente, passando a estar disponíveis para análise bioquímica, genética ou outra, em equipamento apropriado.

E

Eliminação de uma doença Significa a redução a zero (ou a um valor muito baixo, que foi previamente definido) de novos casos de doença numa área geográfica específica. Ao contrário da erradicação, necessita de medidas continuadas para prevenir o aparecimento de novos casos.
ELISA Enzyme-Linked Immunosorbent Assay ou ensaio de imunoabsorção enzimática, é uma técnica imunoenzimática que permite a deteção de antigénios e anticorpos (marcadores serológicos). Baseia-se na fixação num meio sólido (placa com poços) de um antigénio marcado por um anticorpo ligado a uma enzima sobre o qual se verte o soro a testar. O marcador a pesquisar será revelado pela mudança de cor de um substrato cromogénico que se junta.
Extra-hepática Fora do fígado; diz-se dos sintomas que, numa infeção ou doença hepática, têm origem noutros órgãos.

F

Fecal-oral Transmissão de agentes microbianos, incluindo vírus, por via oral através de efluentes ou alimentos conspurcados com fezes.

G

Genital Órgão sexual.
Genótipo Estirpe de um vírus que pode diferir da estripe original até 33% das sequências genómicas, exceto nas regiões do genoma altamente conservadas. Como exemplo, o VHA tem apenas 6 genótipos (I-VI), o VHB 8 (A-H), o VHD 8 (A-H), o VHC 7 (1-7), e o VHE 8 (1-8).
Guidelines Recomendações baseadas na evidência científica para o diagnóstico ou tratamento de uma doença.

H

Hepatite Inflamação do fígado, caracterizada por infiltrados ou exsudados dispersos pelo fígado, constituídos por glóbulos brancos, nomeadamente linfócitos e/ou neutrófilos. Podem também estar presentes plasmócitos, monócitos ou eosinófilos.
Hepatite A Doença inflamatória aguda do fígado causada por o vírus da hepatite A.
Hepatite B Doença inflamatória aguda ou crónica do fígado causada por o vírus da hepatite B.
Hepatite C Doença inflamatória aguda ou crónica do fígado causada por o vírus da hepatite C.
Hepatite colestática Inflamação do fígado em que além dos infiltrados inflamatórios é possível observar depósitos de bilirrubina dispersos pelo fígado.
Hepatite crónica Persistência de infiltrados inflamatórios no fígado, ou elevação das transaminases séricas, para além de um determinado período: convencionalmente 3 a 6 meses. No caso de hepatite crónica vírica implica persistência da infeção.
Hepatite D Doença inflamatória aguda ou crónica do fígado causada por o vírus da hepatite delta.
Hepatite E Doença inflamatória aguda do fígado causada por o vírus da hepatite E. Na infeção pelo genótipo 3 pode ocorrer hepatite crónica em doentes imunodeprimidos.
Hepatócito Nome dado à célula que forma os cordões celulares dos lóbulos do fígado.

I

Icterícia Coloração amarelada da pele e/ou olhos, devido à acumulação de bilirrubina no sangue. A icterícia surge na esclerótica dos olhos quando a bilirrubina no soro sobe acima de 2,5 mg/dl.
IgG Imunoglobulina da classe G. Classe a que pertencem os anticorpos presentes na fase crónica da infeção ou na fase de imunidade adquirida ou pós vacina.
IgM Imunoglobulina da classe M. Com algumas exceções, é o anticorpo presente na fase aguda de uma infeção.
INFARMED Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, agora designado INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P., que tem por missão regular e supervisionar os setores dos medicamentos e produtos de saúde em Portugal.
Infeção ativa Significa presença da virémia: o genoma do vírus é detetável, e eventualmente quantificável no sangue.

M

Macroeliminação da hepatite C Estratégia de eliminação do vírus da hepatite C baseada no rastreio da população geral e no tratamento antivírico.
Microeliminação da hepatite C Estratégia de eliminação do vírus da hepatite C baseada no rastreio e tratamento de populações vulneráveis (utilizadores de drogas, reclusos, migrantes, etc.). Nesta estratégia advoga-se que os procedimentos, incluindo o tratamento, sejam efetuados na comunidade (point-of-care).

N

NAFLD Non alcoholic fatty liver disease, ou Fígado gordo não alcoólico (FGNA).
NASH Non alcoholic steatohepatitis, ou Esteato-hepatite não alcoólica (EHNA).
NoCo No Co-Infection é um programa da Gilead que visa a eliminação do VHC em indivíduos infetados pelo VIH e em indivíduos com elevado risco para infeção por VIH.

O

Obesidade Indivíduos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m2.
OMS Sigla para Organização Mundial de Saúde, ou World of Health Organization (WHO).
ONG Sigla para Organização Não Governamental.

P

Parentérica Diz-se da transmissão que se processa por via sanguínea.
PCR Polimerase chain reaction ou reação em cadeia da polimerase é uma técnica molecular que amplifica exponencialmente quantidades mínimas ou fragmentos de ADN presente em qualquer tecido ou matéria viva ou morta.
Point-of-Care Local de prestação de cuidados médicos integrados que funciona na proximidade do doente.
População vulnerável População que devido às suas condições de vida e de saúde estão mais expostas a determinadas doenças, apresentando um risco mais elevado de adoecimento comparativamente à população geral.
Portal da hepatite C Plataforma eletrónica do INFARMED para a requisição de medicamentos e registo dos resultados do tratamento da hepatite C.
Prevalência Número de indivíduos – expressa em percentagem ou em nº por 100.000 habitantes – com uma determinada doença.
Prevenção Conjunto de medidas – sociais, estilo de vida, dieta, vacina, saneamento, medicamentos, procriação, etc. – implementadas para evitar o desenvolvimento de uma doença.
Programa Gilead Génese Programa instituído pela Gilead Sciences que pretende contribuir para a otimização de práticas clínicas, viabilizando a melhoria da qualidade de vida dos doentes e dos resultados em Saúde, com ganhos de eficiência e potenciando a adequação das políticas de Saúde.
Programa Nacional de Vacinação Lista de vacinas gratuitas, incluindo a cronologia de administração, de um determinado país.
PWID People Who Inject Drugs ou pessoas que utilizam drogas injetáveis.

R

Rastreio Teste (inquérito, análise, exame, etc.) realizado para detetar precocemente uma doença.
Reforço de vacina Dose suplementar de uma vacina. Pode ser administrada periodicamente, depois de concluído o esquema de vacinação recomendado; em contexto de pós exposição; ou quando o título de anticorpos declina a um nível inferior a um valor previamente estipulado para determinados indivíduos.
Reinfeção Nova infeção com o mesmo agente microbiano após a cura da primeira infeção. Distingue-se da recorrência, que corresponde a recidiva da primeira infeção.
Risco Em epidemiologia, significa a probabilidade de ocorrência de um resultado desfavorável, dano ou fenómeno indesejado. Pode ser avaliado como risco absoluto (taxa), risco relativo ou risco relativo ao grau de exposição.

S

Sequela Alteração orgânica ou funcional que permanece após a cura.
Síndrome Entidade clínica definida por um conjunto de sintomas ou sinais.
Sintoma Queixa subjetiva de uma anormalidade do corpo, percecionada como doença.
STAT Programa de apoio à eliminação do VHC patrocinado pela Gilead Sciences.
Superinfeção Infeção sobreposta a uma infeção já existente.

T

Terapêutica Modalidade de tratamento que usa fármacos.
Test & Treat para a hepatite C Estratégia usada na terapêutica simplificada da hepatite C: uma vez confirmada a virémia, o regime terapêutico antivírico pangenotípico é prescrito de imediato sem mais avaliações e sem monitorização durante o tratamento.
Teste rápido Refere-se a um teste de diagnóstico realizado num curto período de tempo: a execução, leitura e interpretação do resultado decorre em menos de 30 minutos. Pode ser usada uma amostra de qualquer fluido biológico colhido com um tubo capilar, não carece de estrutura laboratorial, a leitura é feita a olho nu e pode ser realizada por qualquer profissional minimamente treinado.
Teste reativo Diz-se de um teste quando é positivo.
Transaminases Enzimas celulares libertadas para o sangue quando ocorre algum dano da membrana do hepatócito. Ao contrário do aspartato de aminotransferase, que pode existir noutras células, a alanina aminotransferase quase só existe nas células hepáticas.

U

Urina escura Urina com coloração vermelho-acastanhada, cor de “vinho do Porto” como se diz na gíria médica, indicando a presença de bilirrubina conjugada.

V

Vacina Produto biológico que desencadeia uma reação imune a um antigénio ou microrganismo com a formação de um anticorpo neutralizante. Existem, basicamente, três tipos de vacina: atenuada (microrganismo vivo), inativada (microrganismo morto), e de recombinação genética.
Venopunção Colheita de sangue de uma veia, habitualmente periférica.
VHA Vírus da hepatite A, da família dos Picornavírus.
VHB Vírus da hepatite B. Vírus ADN, da família dos Hepdnavirus.
VHC Vírus da hepatite C. Vírus ARN, da família dos Flavivirus.
VHD Vírus da hepatite D (delta). Membro único dos Deltavirus.
VHE Vírus da hepatite E. Vírus ARN da família dos Hepevirus.
Via de transmissão Rota de contágio do agente infecioso.
Virémia Presença de partículas víricas na circulação sanguínea.
Vírus Agente microbiano extremamente pequeno, constituído por material genético (ADN ou ARN) que, geralmente, está envolvido por uma ou várias proteínas.

Z

Zoonótica Diz-se de uma doença que pode ser transmitida dos animais para o ser humano. A transmissão zoonótica com alguns vírus pode ocorrer com a ingestão de carne crua ou malcozida de animais portadores do vírus.