Perguntas Frequentes

Hepatite A

A hepatite A é uma infeção aguda do fígado provocada pelo vírus da hepatite A1.

Os sintomas da hepatite A, que habitualmente surgem entre 2 e 4 semanas depois do contágio, são:

  • Febre
  • Mal-estar
  • Náuseas
  • Vómitos
  • Dor abdominal
  • Falta de apetite
  • Urina escura
  • Icterícia (a pele e parte branca dos olhos adquirem uma cor amarelada).2

A frequência dos sintomas depende, normalmente, da idade do doente. Em crianças com idade inferior a 6 anos, a infeção só causa sintomas em menos de 30% dos casos, e somente 10% desenvolvem icterícia. Em crianças mais velhas e em adultos esta percentagem pode chegar aos 70% dos casos1,2.

O diagnóstico da hepatite A resulta da pesquisa de anticorpos específicos para este vírus (IgM anti-VHA e IgG anti-VHA)2.

O principal modo de transmissão é por via fecal-oral, através da ingestão de alimentos ou água contaminados, sobretudo em pessoas que viajam para zonas endémicas, ou por contacto com pessoas infetadas.

A transmissão por via sexual é também possível, sendo homens que fazem sexo com homens, quando um dos parceiros está infetado, um dos grupos mais vulneráveis1.

Condições de saneamento adequadas, segurança alimentar e vacinação são as formas mais eficazes de combater a hepatite A.

A propagação da hepatite A pode ser reduzida através:

  • Do fornecimento adequado de água potável;
  • De condições básicas de saneamento nas comunidades;
  • De práticas de higiene pessoal, como lavar as mãos regularmente antes das refeições e depois de ir à casa de banho.3

Não existe nenhum tratamento específico, apenas são tratados os sintomas da infeção.  A doença tem uma evolução geralmente benigna e cura espontaneamente. Contudo, em casos raros, a infeção pode prolongar-se por vários meses, acabando por curar sem sequelas2.

  1. Direção Geral da Saúde (DGS). Hepatite A. Disponível em: https://www.dgs.pt/saude-publica1/hepatite-a.aspx. Consultado em Maio de 2020.
  2. Lemon SM, Ott JJ, Van Damme P, et al. Type A viral hepatitis: a summary and an update on the molecular virology, epidemiology, pathogenesis and prevention. J Hepatol 2018;68: 167-184.
  3. World Health Organization (WHO). Hepatitis A. Disponível em: https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis-a. Consultado em Maio de 2020.

Hepatite B

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Hepatite C

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Hepatite D

O vírus da hepatite D (VHD), ou delta, apenas causa infeção no fígado em pessoas com infeção pelo vírus da hepatite B. A hepatite D é uma hepatite rara em Portugal.1

A transmissão do vírus da hepatite D é idêntica à transmissão da hepatite B. Através do contacto com sangue, por exemplo através de agulhas não esterilizadas para consumo de drogas injetáveis, ou através de relações sexuais desprotegidas. A hepatite D pode ocorrer de duas maneiras: coinfeção, quando a infeção aguda ocorre ao mesmo tempo que a infeção pelo vírus da hepatite B; ou superinfeção, quando a infeção delta aguda ocorre num portador crónico do vírus da hepatite B. Esta última forma de hepatite delta é habitualmente mais grave e apresenta maior risco de evoluir para hepatite crónica2.

Na coinfeção, os sintomas são idênticos a uma hepatite B aguda, só que mais intensos, podendo progredir para hepatite fulminante. Ao contrário do que acontece na coinfeção, que beneficia da reação imune ao vírus da hepatite B com a consequente eliminação do vírus da hepatite D em mais de 95% dos casos, na superinfeção a consequência é a progressão para o estado portador crónico do vírus da hepatite D em mais de 90% dos casos. A hepatite delta crónica tem um risco aumentado de progredir para cirrose2,3.

Evitando comportamentos de risco, como a partilha de agulhas ou ter vários parceiros sexuais.  A vacina da hepatite B protege contra a hepatite D2.

O diagnóstico da hepatite D poderá ser realizado através da pesquisa de anticorpos para o vírus da hepatite D (IgM e IgG anti-VHD), e confirmado pela deteção de material genético do vírus no sangue (ARN do VHD)2. Os marcadores da hepatite B são também indispensáveis para uma correta interpretação da hepatite D4.

Sim, existe, sendo aprobabilidade de sucesso (resposta virológica sustentada) relativamente baixa, cerca de 25% e a descontinuação do tratamento, origina frequentemente reativação da infeção3,4.

  1. Direção Geral da Saúde (DGS). Programa Nacional Para As Hepatites Virais. Lisboa, julho 2019. Disponível em: https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/programa-nacional-para-as-hepatites-virais-2019.aspx. Consultado em: Maio de 2020
  2. World Health Organization (WHO). Hepatitis D. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis-d. Consultado em: Maio de 2020.
  3. Hughes SA, Wedemeyer H, Harrison PM. Hepatitis delta virus. Lancet 2011; 378:73-85.
  4. Botelho-Souza LF, Vasconcelos M, Santos A. Hepatitis delta: virological and clinical aspects. Virology jornal 2017; 14:177.

Hepatite E

A hepatite E é uma inflamação do fígado provocada pelo vírus da hepatite E. Este vírus tem quatro genótipos (1, 2, 3 e 4) com habitats diferentes e aspetos clínicos também distintos: os genótipos 1 e 2, infetam exclusivamente o Homem, sendo responsáveis por grandes epidemias em países em desenvolvimento. Os genótipos 3 e 4, são zoonóticos, isto é, infetam o Homem e os animais (porco, javali, veado, etc.), são comuns nos países desenvolvidos, especialmente na Europa, e são responsáveis por infeções esporádicas1.

A transmissão é do tipo fecal-oral, através de águas contaminadas por esgotos, para os genótipos 1 e 2, e zoonótica para os genótipos 3 e 4, ou seja, por ingestão de carne contaminada e consumida crua ou malcozinhada. Outras formas de contágio, por exemplo através de transfusões de sangue, são muito prováveis para o genótipo 3. Alguns países Europeus já fazem rastreio deste vírus no sangue doado2.

A hepatite E aguda causa os sintomas típicos das hepatites víricas, incluindo:

  • Perda de apetite
  • Náuseas e vómitos
  • Febre
  • Dor abdominal
  • Icterícia (a pele e parte branca dos olhos adquirem uma cor amarelada).1

Com a implementação de infraestruturas de saneamento básico e boas práticas de higiene pessoal. Para o genótipo 1 está disponível uma vacina na China.

Os viajantes para países em desenvolvimento podem diminuir o risco de infeção evitando beber água que não seja engarrafada. Nos países desenvolvidos, a prevenção passa pela higiene alimentar e por evitar a ingestão de carne ou produtos manufaturados de porco crus ou malcozinhados1,2.

O contacto com o vírus da hepatite E poder ser avaliado através da pesquisa de anticorpos específicos para este vírus (IgG anti-VHE e IgM anti-VHE) no sangue. A presença de anticorpos IgM anti-VHE permite o diagnóstico de infeção aguda, no entanto, para o diagnóstico de infeção crónica pelo VHE é necessário avaliar a presença de material genético do vírus da hepatite E (ARN do VHE) no sangue2.

Não existe tratamento específico para os doentes com hepatite E aguda causada pelos genótipos 1 e 2, uma vez que é autolimitada. Para os doentes com hepatite E crónica (genótipo 3) existe tratamento com cura da infeção em cerca de 78% dos casos2.

  1. World Health Organization (WHO). Hepatitis E. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/hepatitis-e. Consultado em: Maio de 2020.
  2. European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on hepatitis E virus infection. J Hepatol 2018;68:1256-1271